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O tempo, ou melhor, a falta dele

08/05/2010

“Tempo é uma questão de prioridade” e toda vez que ouço esta frase sinto uma vontade imensa de voar no pescoço do indivíduo que disse isto pela primeira vez, mesmo não sabendo quem foi, e fazê-lo engolir essa maldição letra por letra. Tudo isso porque eu queria muito que ele estivesse errado, mas infelizmente não é o caso. O leitor deve estar pensando “Que lixo! Um post que não tem nada a ver com o tema do blog!”, eis que…

Vamos imaginar que cada um de nós tem um kernel rodando no cérebro (assim eu tenho uma metáfora para elaborar uma argumentação e uma desculpa para fazer um pequeno off-topic no iCaju ;)). O papel do nosso kernel é, a grosso modo, fazer com que consigamos realizar alguma atividade, ao invés de apenas ficar pensando em realizar, ou seja, ficar enrolando, procrastinando.

Quantas vezes você se pegou assistindo a novela das oito, passando os slides que te mandaram, vendo vídeos dos fãs de Restart no YouTube, lendo tweets, etc, e pensou que poderia estar fazendo algo mais edificante? Nessas horas bate uma sensação de culpa. Bate e fica por isso mesmo, afinal:

“Para todo x pertencente ao espaço, e para todo y pertencente ao tempo, você deveria estar fazendo algo mais importante em <x;y>.”

Axioma do enrolado (aka Mamutti)

Não importa o quanto você estude no primeiro semestre da faculdade, você já poderia estar pensando na sua monografia. Não importa o quanto você trabalhe para sustentar a sua família, você poderia estar lutando para preservar o planeta para os seus netos. Ou seja, você sempre estará fazendo a coisa errada ou momento errado. Em geral as pessoas só pensam assim quando já é tarde demais para fazer alguma coisa.

Voltemos ao nosso neurokernel… todo mundo precisa desempenha certas atividades (ou processos), e cada atividade leva um tempo para ser concluída. Nunca sabemos com certeza quanto tempo uma atividade levará para ser concluída até que a tenhamos concluído. O que implica que, definir a prioridade das atividades sobre o nosso tempo com base na duração delas é uma furada, a não ser que você tenha um prazo (obviamente, nesse caso a atividade ficará pronta em cima da hora). Por isso, todo kernel tem um escalonador.

O papel do escalonador é por ordem na bagaça e estabelecer, com base em alguns critérios de prioridade, que atividade executa antes, depois, por quanto tempo e impede que uma atividade menos importante atrapalhe a execução de outra atividade. É graças ao escalonador do kernel que o computador consegue, entre outras façanhas, realizar um processamento pesado, atualizar a posição do cursor do mouse na tela, ler a entrada do teclado e manter o relógio funcionando, tudo isso (aparentemente) ao mesmo tempo e sem travar!

Tudo muito lindo, maravilhoso. Mas (sempre tem um “mas”), o escalonador do nosso kernel imaginário tem um critério muito esquisito para definir prioridades: vontade. Analisemos uma conversa comum no dia-a-dia de qualquer pessoa:

– Iai, fulano? Blz?

– Blz, e vc?

– Blz… tá fazendo o que?

– Nada.

Mentira. Nunca uma pessoa tem “nada” pra fazer. Se fica sem algo pra fazer, ela rapidamente inventa alguma coisa para ocupar o tempo. No máximo, a pessoa não quer fazer as coisas que ela tem pra fazer. Tendo percebido esse “bug” no escalonador do meu neurokernel (e de outros também), decidi que iria “terceirizar” o escalonamento de atividades. Como assim terceirizar?

Esse é basicamente o papel dos métodos de gerenciamento de ações, como por exemplo, GTD (Getting Things Done). Ao adotar um método desses a pessoa abre mão de fazer o que quer para fazer o que precisa, e passa a seguir algumas regras para descobrir o que precisa fazer primeiro. No entanto não encontrei nenhum método que me agradasse, em grande parte porque o “bug” no meu cérebro não me deixou experimentar nenhum.

Então decidi, eu mesmo, criar um método de gerenciamento de ações e produtividade pessoal, com uma abordagem bem parecida com a do escalonador de processos do kernel. Consiste de um algoritmo para definir prioridades para as atividades que eu quero realizar, um pequeno cálculo para determinar quantas horas eu devo me ocupar de cada atividade, semanalmente, e registrar quantas horas eu já cumpri ou deixei de cumprir. KISS approved.

Não quero deixar este artigo maior do que ele já está, mas adianto que implementei esse algoritmo em Python (como não poderia deixar de ser) e posso dizer que por enquanto tem funcionado muito bem. Apesar de já estar funcional, pretendo fazer algumas melhorias no código antes de liberar para download aqui neste mesmo horário, neste mesmo canal. Espero contar com você para testar esse método e dar um feedback para que eu possa melhorá-lo.

PS: Notem que eu estava há um bom tempo sem postar por aqui, logo esse artigo é fruto desse método, bem como outras coisas que produzi desde que comecei a testá-lo. Ainda é cedo para dizer que funciona, mas tudo indica que sim.

2 Comentários leave one →
  1. Gabrielle permalink
    08/05/2010 16:46

    Interessante a analogia com um escalonador. Mas eu usaria o sistema de arbitragem centralizado de barramentos (mestre-escravo). O escravo pede por controle, e recebe quando o mestre resolver

Trackbacks

  1. d10r – Um utilitário para pessoas enroladas « iCaju

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