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O milagre do Low Level Format

09/05/2008
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No tempo em que os homens eram homens e escreviam seus próprios programas – exagero – os HD’s usavam motores de passo e eram constantes os desalinhamentos causados por imprecisões no mecanismo, sendo necessário refazer as trilhas do HD com uma certa frequência. Esse processo era conhecido como Low Level Format (formatação de baixo nível), ou formatação física, e foi abolido com a substituição dos motores de passo pelo sistema voice coil, usado em todos os HD’s atuais.

Um sistema voice coil é constituído de uma bobina e um eletroimã que são usados para movimentar o braço do HD, com um pouco de ajuda dos discos. A cabeça tem que ler um sinal especial na superfície do disco (gravado na fábrica, durante a formatação física) para se localizar sobre este, e a regravação dessas áreas especiais destruíria o disco, pois a placa controladora não teria mais como posicionar a cabeça corretamente sobre o disco. Por este motivo, a alteração destas áreas essenciais é bloqueada através do BIOS do HD, bypassando o Low Level Format, ou seja, o programa tem a impressão de que está realizando a formatação física, mas na verdade não está.

O que ninguém explica hoje é porque mesmo a formatação de baixo nível sendo bloqueada pelo BIOS do HD ela ainda consegue recuperar boa parte dos discos com setores defeituosos, os famigerados bad blocks, sem deixar vestígios. Alguns dizem que esse tipo de formatação funciona como um Zero Fill, ou seja, ela preenche todo o HD com bits zero, mas isso não explica como ela conserta bad blocks.

Quando são utilizados programas específicos para recuperar bad blocks, como o HDD Regenerator ou o HDAT, eles sempre voltam, e ainda por cima a leitura do disco fica mais lenta quando tem algum dado gravado nestes setores recuperados. Já a formatação de baixo nível faz com que o HD danificado se comporte como novo, na maioria dos casos, seu único contra é que ela apaga completamente (não para a Ontrack) os dados gravados no disco, tornando quase impossível a recuperação de um dado.

Os últimos dois HD’s com problemas de bad block que eu peguei pra consertar eu consegui reparar TODOS os setores ruins, que não eram poucos, e deixar eles funcionando como novos usando a formatação de baixo nível fornecida pelo programa Maxtor PowerMax (que funciona com HD’s de qualquer marca). Um detalhe interessante é que o S.M.A.R.T. do HD após a formatação de baixo nível não indica a realocação de nenhum setor a mais, o que torna o processo mais misterioso ainda.

Alguns podem negar que isso seja possível até a morte, mas na prática a formatação de baixo nível é a melhor forma de consertar HD’s com setores defeituosos. É só cruzar os dedos, ter um pouquinho de fé que tudo vai dar certo e, é claro, salvar todos os dados antes de tentar. Já que o HD vai pro lixo mesmo, não custa nada fazer uma última tentativa. Se algo der errado… bem, ele vai pro lixo do mesmo jeito, né?

Fontes: Hardware – Guia Definitivo, Carlos E. Morimoto, e experiências minhas.

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